essa vida marota e meus sapatos maravilhosos

Eu estava aqui pensando no quanto a vida é injusta e no quanto essa nossa caminhada é uma eterna volta à estaca zero.  Como, por exemplo, o drama de hoje. Estava com a moral meio baixa esses dias (sobrancelha por fazer, nem um pingo de maquiagem na cara, o cabelo com aquela cara de (literalmente) wake up like this), então hoje decidi usar meu salto para-dias-em-que-eu-preciso-de-ajuda-para-me-sentir-maravilhosa. Na verdade, seria um salto super utilizado (assim, todos os dias) se fôssemos nos guiar APENAS no seu nome e na minha necessidade de ser elogiada pelas minhas escolhas modísticas. Entretanto, a vida não é fácil assim, é? Não, não é.

A minha história com esse sapato é aquele velho e bom caso de amor e ódio. Foi arrebatamento à primeira vista e era, na realidade, impossível não ser. Pra começo de conversa, foi numa das poucas vezes que tive coragem de colocar meu pés de Ipanema (porque Havaianas virou ostentação) dentro da Zara. Claro que geralmente passo direto porque essa pessoa que vos escreve não tem a menor coragem de dar R$ 200 em um jeans. Me desculpem quem dá, mas apenas não rola. Como pagarei meus açaís se gastar 200 pila num jeans? Uma questão de prioridades, apenas. Mas enfim, o fato é que, apesar de quase nunca entrar na loja, nesse abençoado (?) dia, a Zara estava com uma maravilhosa palavra (???) escrita em uma placa, na frente da loja: LKD. E quando uma loja está com uma placa de LKD na frente, o que a gente faz? Isso mesmo, a gente entra, reza pro LKD significar liquidação e não alguma outra coisa esquisita gringa que a gente nunca ouviu falar – e, com alguma sorte, a gente compra alguma coisa.

Entrei. E, pro meu choque, realmente tinham umas coisas com preços compráveis – entendam, preço de C&A, Renner e companhia limitada. Fiquei chocada, passada e feliz, porque do jeito que as coisas estavam indo, parecia que eu finalmente ia comprar algo nessa loja que veste quase que todas as minhas inspirações reais (leia-se blogueiras, aqui) do mundo da moda. A questão é: eu realmente estava precisando de um salto legal. Um salto que fosse bonito, que desse aquele tchan, que não comesse vivo os meus pés. E daí eu tava à toa na Zara e dei de cara com aquele salto lindo, maravilhoso e sensacional que vocês já devem ter visto no link que coloquei lá em cima. Provei e me senti ainda mais sensacional. Foi paixão, foi intenso. Tão intenso que não me deu muito tempo para olhar para as solas completamente lisas do sapato, antes de pagar R$ 70 por ele no caixa da bendita loja. Infelizmente, a intensidade não durou tanto. No dia posterior, eu estava na agonia para usar meu salto novo e, claro, fui pro trabalho com ele. POR QUE EU FAÇO ESSAS COISAS, DEUS? Passei o dia rezando para não me estabacar no chão e andando bem devagar, colocando muita força em cada passada, porque a sola do sapato era mais lisa que a cara-de-pau-encerada de c e r t a s  p e s s o a s que eu conheço. Daí vocês podem imaginar como eu fiquei muito elegante, só que nunca. E essa é a minha frustração com esse sapato – e com vida.

A pessoa compra uma coisa pra ficar mais elegante, mais sensual, mais interessante e a coisa termina cagando na sua cara e você termina a mesma mazelada de sempre – se não, pior. Para dar o golpe de misericórdia, eu sempre termino por esquecer o porquê do sapato estar encostado num canto há um milhão de anos e, em dias como o de hoje, resolvo que ‘ah, faz tanto tempo que não uso esse sapato, ele é tão bonito, acho que vou com ele pro trabalho’ e obviamente, termino tendo o mesmo resultado de sempre – na verdade, pior, porque eu tinha resolvido temporariamente o problema da sola (colei uma sola decente embaixo do sapato), só que claro que a sola descolou hoje, enquanto eu andava no meio da rua. E agora eu estou sofrendo o mesmo drama de patinar nos pisos lisos da vida, só que sem patins, sem protetores para as partes importantes do corpo (como a autoestima), e muito menos algum equilibro.  E claro, com direito a alguns calinhos de brinde, cuja dor eu tentei aliviar tirando o sapato, porém óbvio que agora é impossível colocá-lo de volta sem sentir o dobro da dor que eu estava sentindo antes.

Sensacional.

Então a conclusão é que: ainda sou um arremedo de gente que a) não sabe comprar sapato; b) não saber usar sapato; e c) não sabe lidar com sapato. E claro, a vida é essa caminhada incessante, com os pés cheios de calos e band-aids, rumo à inexorável estaca zero.

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Um comentário sobre “essa vida marota e meus sapatos maravilhosos

  1. Primeiramente, AIMEUDEUSDOCÉUBLOGNOVOTOMARAQUEMEUCOMENTÁRIOSEJAOPRIMEIROPORQUESOUDESSAS! 😀

    Ufa, prosseguemos (?).

    Eu sou dessas pessoas que não se dão com sapato. Qualquer um. Não precisa ter salto. Não precisa ter solado mais liso que a cara de pau de c e r t a s p e s s o a s. Pode ser havaianas (amor eterno, amor infinito), sapatilha, alpargata, um tênis daquele que custam os olhos da cara: VAI me machucar. E não vai ser pouco. E vai ser sempre. E às vezes nem os muitos produtos protetores que eu compro ajudam. Por isso um dos maiores prazeres da minha vida é chegar em casa e ficar descalça para sempre.

    Quanto à metáfora, eu já tive uma boa dose de frustrações na vida e não sei lidar (acho que só pessoas iluminadas sabem), então entendo o seu drama.

    Vida longa ao blog novo! ♥

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